Na última segunda-feira, a HBO estreou o quinto episódio da segunda temporada da série The Last of Us, estrelada por Pedro Pascal e Bella Ramsey. Mas como a história de um dos jogos mais icônicos da indústria se transformou em uma série tão aclamada? Vamos mergulhar na trajetória do jogo, desde sua criação até sua adaptação televisiva de sucesso.

A origem de The Last of Us: uma ideia revolucionária

A jornada de The Last of Us começa há mais de 20 anos, quando Neil Druckmann, um jovem desenvolvedor de jogos da Naughty Dog, estava imerso em um projeto para revitalizar a série Jak and Daxter. No entanto, as ideias que surgiram no processo estavam tão distantes da proposta original de Jak and Daxter que a equipe decidiu criar algo completamente novo. Em 2004, enquanto ainda era estudante na Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, Druckmann começou a desenvolver um jogo inspirado no clássico filme zumbi A Noite dos Mortos-Vivos, de George Romero. A ideia inicial envolvia um policial aposentado que deveria proteger uma menina em um mundo infestado de criaturas, com mecânicas de jogo baseadas em Ico e no personagem John Hartigan de Sin City. O conceito de alternar o controle entre o policial e a menina permitia criar uma conexão emocional única.

A inspiração no cordyceps e a evolução da ideia

Enquanto trabalhava na Naughty Dog, Druckmann continuou a expandir sua ideia original, desenvolvendo um vínculo entre um personagem forte e protetor e uma jovem vulnerável. O ponto de virada aconteceu quando ele assistiu a um documentário na BBC sobre o cordyceps, um fungo que parasita insetos e controla seu comportamento. Isso o levou a pensar em uma narrativa onde um fungo como o cordyceps infectaria seres humanos, criando monstros e transformando a humanidade. Inicialmente, a ideia era que o fungo infectasse apenas as mulheres, mas essa visão foi rapidamente descartada devido a críticas de sexismo. Foi então que a ideia de The Last of Us tomou forma, focando na história de Joel e Ellie, e o fungo passou a afetar a população de forma mais ampla.

A conexão com Chernobyl e a adaptação para a HBO

Em 2019, após o sucesso estrondoso de The Last of Us, Neil Druckmann assistiu à série Chernobyl criada por Craig Mazin, e ficou impressionado com a qualidade da narrativa. Isso o levou a entrar em contato com Mazin, e a ideia de adaptar The Last of Us para a HBO começou a ganhar forma. O envolvimento de Mazin foi crucial para garantir que a série mantivesse a profundidade emocional e a narrativa envolvente do jogo, com uma adaptação que fosse fiel ao universo criado por Druckmann, mas que também trouxesse elementos novos e surpreendentes.

O sucesso da adaptação e o futuro da franquia

O lançamento de The Last of Us como jogo em 2013 foi um marco na indústria dos videogames. A crítica destacou sua narrativa e o desenvolvimento de personagens, elementos que foram mantidos e ampliados na série da HBO, que rapidamente se tornou um sucesso global. A conexão emocional com os personagens, combinada com o cenário pós-apocalíptico, conquistou tanto os fãs do jogo quanto novos espectadores. Em 2020, Neil Druckmann assumiu o cargo de copresidente do estúdio Naughty Dog, e desde então tem trabalhado em novos projetos, incluindo o aguardado Intergalactic: The Heretic Prophet.

A adaptação de The Last of Us para a HBO é um exemplo notável de como narrativas de jogos podem ser transformadas em séries e filmes de sucesso. A trajetória do jogo até a tela pequena é um testamento do poder de uma boa história, seja nos games ou na TV.