Toda história do Demolidor tem a mesma moral fundamental. Não importa se estamos falando de Charlie Cox ou Ben Affleck, de uma história boba da Era de Prata ou de um conto corajoso de Frank Miller. A lição de cada história do Demolidor é que ninguém jamais deveria se envolver com Matt Murdock. Sim, Matt é charmoso, apaixonado e comprometido em fazer a coisa certa. Mas ele sempre tomará a pior decisão no momento mais inoportuno e, embora se sinta assolado pela culpa ao fazê-lo, ele o fará até o fim.
Embora o título “Requiem” sugira que ainda estamos num período de luto por Vanessa Fisk, grande parte dos últimos Demolidor: Nascido de Novo O episódio trata de pessoas tomando decisões destrutivas. Charles faz sua jogada, Daniel confronta BB, Powell mata um subordinado e Heather tenta estrangular Buck. E, no entanto, nenhuma dessas ações é tão explosiva quanto a tentativa de Matt de estabelecer uma trégua com Wilson.
Escrito por Devon Kliger e Jesse Wigutow e dirigido por Angela Barnes, “Requiem” começa logo após o episódio anterior “The Grand Design”, com o médico de Vanessa dando a notícia de sua morte e depois escolhendo o pior momento possível para abraçar Wilson (você pode ter lido sobre essa cena antes… desculpe por isso).
Com Fisk dominado pela dor, todos os outros entram em ação. Percebendo que seu acordo com o prefeito deu errado, o Sr. Charles procura o governador para fazer um novo acordo obscuro e indistinto, enquanto o governador, por sua vez, nomeia Sheila Rivera para substituir Fisk. Buck Cashman parte para a ofensiva, primeiro forçando Daniel a confrontar BB por causa dela Cidade sem medo relata, e então joga um jogo de asfixia com Heather que desperta novas visões de Muse. Soledad Ayala, Angela del Toro e outros insurgentes lançam um enorme golpe anti-Fisk, que dá a Powell a desculpa de que precisava para contra-atacar abertamente – depois de matar Saunders, o homem da resistência dentro da AVTF.
Como tem acontecido durante toda a temporada, a qualidade desses pontos da trama varia. É bom ver Cashman ser um pouco mais abertamente malévolo, e o charme inglês o diferencia de seu antecessor Wesley, mas o roteiro pede que ele seja sutil e ao mesmo tempo explique em detalhes dolorosos o teste toupeira que ele deseja que Daniel realize. Sua interação com Heather é interessante, apesar da maneira dolorosamente lenta e óbvia com que ela está caindo na loucura. O pior de tudo é o Sr. Charles, que não fez nada com Fisk e agora parece estar montando alguns quase-Thunderbolts que aparentemente enredaram Luke Cage. Amamos Matthew Lillard, mas ele parece estar envolvido naquele velho pecado da Marvel de prometer algo emocionante da próxima vez, mas não entregar nada emocionante agora.
Por mais irritantes que sejam esses elementos, “Requiem” oferece algumas coisas interessantes aqui e agora. Obviamente, finalmente conseguimos Jessica Jones, de volta pela primeira vez no MCU propriamente dito. A Marvel vem provocando sua chegada há meses, e deixá-la espancar os policiais da AVTF enquanto cuida de sua filha é uma introdução adequada. E Krysten Ritter não perdeu um passo, interpretando Jessica com aquela mistura perfeita de sarcasmo e vulnerabilidade. No entanto, ainda parece um pouco mecânico quando ela vai até Matt no telhado para que eles possam fazer uma sequência de ação juntos. A coreografia de luta continua eficaz e adoramos ver super-heróis espancando policiais militarizados, mas o acordo de armas de Fisk com o Sr. Charles nunca foi convincente, então os riscos parecem inexistentes.
A melhor sequência de luta vem no final, o tão esperado confronto entre Demolidor e Fisk. Como a série nos lembrou repetidamente, Fisk representa uma ameaça física formidável, ainda mais agora que toda a pretensão de prefeito desapareceu, libertando-o para ser o Rei do Crime mais uma vez. Acreditamos que ele realmente deseja derrotar o Demolidor, de uma forma que não foi totalmente verdade na série da Disney ou no antecessor da Netflix.
Tudo isso torna a aposta de Matt ainda mais interessante. Quando o Demolidor chega ao escritório de Fisk, ele não vem para lutar, mas para pedir a paz. Além disso, ele faz seu apelo tentando ser sincero com Fisk, tentando fazer com que seu antigo inimigo veja o quanto eles perderam. Matt está certo, é claro. Os confrontos entre os dois homens custaram caro a ambos e espalharam a loucura entre aqueles que os rodeavam. Mas este é o pior momento possível para Matt fazer esse apelo, depois de Fisk ter machucado tantas pessoas e ter a capacidade de prejudicar ainda mais.
A tentativa de Matt de redimir Fisk apenas prova o que Karen tentou defender ao longo da segunda temporada. Por mais decepcionante que seja ver Karen reduzida à mulher que reclama do que o personagem principal masculino está fazendo, pelo menos entendemos sua frustração. Bullseye provou que é uma máquina assassina impenitente, que tentou matar Karen, matou Foggy e agravou os problemas ao matar Vanessa. Então, o que Matt faz? Ele não apenas não o entrega às autoridades, mas também o leva para o esconderijo secreto, cuida dele e repreende Karen por querer que ele morra.
Karen tem todo o direito de estar furiosa com Matt. E embora o episódio termine com Powell capturando Karen (acontece que uma peruca não era o disfarce completo que ela esperava que fosse), isso também é culpa de Matt, já que ele está dentro do gabinete do prefeito tentando apelar aos melhores anjos de Fisk em vez de proteger os manifestantes do lado de fora. Mais uma vez, Matt está tomando a pior decisão possível.
Dessa forma, “Requiem” é o clássico Demolidor, mesmo que seja um episódio irregular de TV.
Demolidor: Nascido de Novo lança novos episódios todas as terças-feiras às 21h no Disney+.
